AS PODEROSAS DA CLASSE C

O salário delas cresceu 60% mais que o dos homens nos últimos 10 anos.Nesse período, o percentual de lares que chefiam pulou de 22,2% para 37,3%.
28 de dezembro de 2012 | 07:12

E, hoje, de cada R$ 100 gastos com produtos e serviços pelas novas famílias que ascenderam na pirâmide social brasileira, R$ 70 saem do bolso dessas mulheres. Proporcionalmente, o valor é quase três vezes maior que o desembolsado pelas mais ricas das classes B e A.

Com participação cada vez maior no mercado de trabalho e renda em alta, as mulheres respondem por 70% dos gastos da camada emergente

Passaram-se quase cinco décadas desde que militantes da causa feminista decidiram atear fogo em sutiãs, episódio que acabou se tornando um marco do processo de liberação da mulher na sociedade moderna. Desde então, em diversas partes do mundo, de coadjuvantes elas passaram a protagonistas no mercado de trabalho, na política e, principalmente, no convívio familiar. No Brasil, onde 40 milhões de pessoas ascenderam à classe média nos últimos 10 anos, não foi diferente. De cada R$ 100 consumidos pela Classe C em produtos e serviços, as mulheres são responsáveis por R$ 70. O valor é quase três vezes maior do que gastam, proporcionalmente, as mulheres mais ricas. Nas classes A e B, dos mesmos R$ 100 despejados no mercado, elas participam com apenas R$ 25.

Com mais dinheiro no bolso, elas passaram a ditar as regras em casa. De acordo com dados do instituto Data Popular, nos lares da Classe C são as mulheres quem decidem quais alimentos a família vai consumir, quais hospitais ou médicos procurar e em qual escola os filhos vão estudar. “Há uma pluralidade da nova classe média que trouxe mais identidade ao país. E nesse novo quadro, quando o assunto é o orçamento familiar, quem toma as decisões na Classe C é a mulher”, disse ao Correio o ministro da Secretaria de Assuntos Especiais (SAE) da Presidência da República, Moreira Franco.

Nos últimos 10 anos, o percentual de lares brasileiros chefiados por mulheres passou de 22,2% para 37,3%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Grande parte desse fenômeno se explica pela expansão do mercado de trabalho. Em 2002, de cada 10 mulheres com idade entre 16 e 60 anos, somente duas tinha emprego formal. Dez anos depois, essa proporção aumentou para três de cada 10 mulheres.

Elas no poder

Ainda que tímido, o avanço proporcionou outra conquista feminina: a redução da histórica discrepância entre os salários pagos a homens e a mulheres. Como estudam em geral mais do que os homens, elas passaram também a ganhar mais. Somente nos últimos 10 anos, a renda das mulheres cresceu 60% mais do que a deles.

Tal desempenho levou as empresas que atuam no Brasil a repensar suas políticas comerciais, colocando a mulher da classe C no centro das atenções. “Ainda existem mercados muito focados na decisão de compra do homem, como o automotivo e o de áudio e vídeo. Mas, com o avanço das mulheres da nova classe média, as empresas estão apostando cada vez mais suas fichas no poder de compra feminino”, diz a diretora do grupo Troiano de Branding, Renata Natacci.

Somente em 2012, a renda das mulheres brasileiras alcançará R$ 737 bilhões. Desse montante, 35,5%, ou o equivalente a R$ 262 bilhões, serão gastos pelas mulheres da nova classe média. Tamanha disposição em abrir a carteira chamou a atenção de organismos ambientais, que estão preocupados em saber como as decisões de consumo dessas mulheres podem causar impacto no meio ambiente.

No estudo Mulheres e tendências atuais e futuras do consumo no Brasil, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, a ministra titular da pasta, Izabela Teixeira, diz que as mulheres da nova classe média mudaram não só o mercado de consumo como também a cara do Brasil. “Elas são mais da metade da população, tendencialmente o segmento mais educado (com mais anos na escola), e migram a passos largos do papel de influenciadoras para o de tomadoras de decisões (nos lares)”, escreveu a ministra no documento, publicado em maio deste ano.

O maior controle das decisões domésticas se traduz em números. Em 49% dos lares brasileiros de classe média, as mulheres não só trabalham como influenciam diretamente todos os aspectos domésticos. Além de questões básicas, como quais alimentos a família vai consumir, elas dão a última palavra quando o assunto é o orçamento doméstico ou até a forma como o casal vai poupar dinheiro para o futuro.

Mais estudo

Nascidas em um período de maior protagonismo feminino, as mulheres estão estudando cada vez mais que os homens. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, das com idades entre 18 e 24 anos, 61% possuíam, até 2011, ensino médio completo ou mais. A mesma pesquisa mostrou que apenas 48% dos homens nessa faixa etária tinham o mesmo grau de instrução.

Por: DECO BANCILLON

Fonte: Jornal Correio Brazilense em 28 de dezembro de 2012 07:10

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Classe C, mulheres, alimentos, Brasil, lares, mercado, trabalho, tendências, família


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  • Coluna Do Editor

    ...e aqui estamos nós, em 2017!

    Leticia Evelyn Oliva-Cowell
    23 de janeiro de 2017 01:25
    Industria de Alimentos em 2017, nós estaremos acompanhando.